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12 de abr de 2011

Dark Angel

O que semideuses míticos lutando furiosamente por sua honra e meninas graciosas que se movimentam por um mundo virtual dentro dos computadores têm em comum? O fato de ambos terem surgido pelas mãos de Kia Asamiya, um dos mais versáteis desenhistas de mangá da atualidade.








No caso das meninas do mundo virtual, trata-se de Corrector Yui, animação que já foi exibida no Brasil pela TV a cabo, na verdade, uma série criada por encomenda para conquistar o público de Sakura Card Captors, da CLAMP. Já os guerreiros sobre-humanos são os personagens de Dark Angel, o mangá que está chegando ao público brasileiro pela Editora Mythos.

Asamiya tem em seu currículo várias séries de renome, como Silent Mobius, Nadesico, Batman Manga e a versão japonesa de Star wars. No meio de tantos sucessos, Dark Angel é com certeza um de seus trabalhos mais conhecidos no Ocidente, graças à sua história repleta de ação e aventura, mas que não dispensa um enredo envolvente e mais profundo do que a maioria das séries do gênero que circulam no Brasil. O mundo criado por Asamiya está recheado de mitos e lendas que aos poucos se tornam familiares aos brasileiros, graças ao contato e o interesse crescente com as culturas orientais como a da China e do Japão.

 

UM MUNDO E SEUS REINOS

A história de Dark Angel se passa em um mundo mítico, dividido em quatro países de acordo com os pontos cardeais e os animais sagrados chineses: há o Reino dos Ventos do Leste, que tem como símbolo o Dragão Azul, o Reino dos Ventos do Norte, sob a constelação da Ursa Maior, o Reino dos Ventos do Sul, sob a proteção da Fênix Escarlate e o Reino dos Ventos do Oeste, domínio do grande Tigre Branco. Há ainda o reino central de Oukaku, responsável pela manutenção da ordem entre as Nações do Quatro Ventos.

Cada um dos reinos é governado por um guerreiro possuidor de poderes extraordinários, que também é o guardião de seu país. Estes soberanos recebem o nome de fantasmas sagrados (gensei) e têm pequenos espíritos guardiões como seus conselheiros. Por força de um tratado firmado muito tempo atrás, nenhum deles pode entrar em um domínio que não seja o seu sem antes pedir a permissão do fantasma sagrado que o governa, e assim os quatro reinos vivem um tempo de paz.

O SUCESSOR

A história começa com Lorde Soh, fantasma sagrado da Fênix Escarlate, treinando seu jovem discípulo Dark junto a uma cachoeira. Por mais que se esforce, é óbvio que Dark ainda tem muito que aprender antes de atingir o nível de seu mestre. Porém, Lorde Soh tem pressa, pois pressente que sua vida está chegando ao fim, e desafia Dark a colocar todo o seu poder e habilidade em um golpe supremo, que decidirá se ele poderá continuar o treinamento ou não.

Após uma dura luta, Lorde Soh deliberadamente evita se defender e morre pelas mãos de Dark, pois essa seria a única maneira de nomeá-lo seu sucessor. Antes de morrer, o soberano entrega ao jovem sua espada mágica e diz que ele deve se apresentar como novo fantasma sagrado ao senhor do reino central, tendo como guia na viagem a pequena fada guardiã Kyoh.

A ESPADA CONFISCADA

No entanto, Dark não é realmente o que se espera de um herói e logo se perde, entrando por engano no Reino do Dragão Azul. Apenas isso já lhe custaria a vida, mas, entre os guerreiros que vão lhe barrar o caminho, está uma antiga aluna secreta de Lorde Soh, também sua amante. Louca de dor com a notícia da morte de Soh, ela inicia uma selvagem batalha com Dark, para a qual também chega a soberana do país, e que só acaba quando a espada mágica (que Dark até então sequer conseguia tirar da bainha) mostra todo o seu poder e o espírito de Lorde Soh revela-se como unido ao do rapaz.

Por haver infringido a lei suprema dos quatro reinos, Dark tem sua espada confiscada por um emissário do reino central, que lhe aconselha a retornar ao seu domínio e procurar um famoso mestre ferreiro para conseguir uma nova espada. Após várias tentativas, Dark e Kyoh encontram o mestre Kiba, que testa o coração do rapaz e lhe dá uma espada sem fio, com a qual ele poderá salvar vidas e não destruí-las, conforme o seu desejo (exatamente como um certo samurai de outra série...).

HERÓI OU DEMÔNIO?

Nesse meio tempo, no encalço de um criminoso, o soberano do Reino dos Ventos do Oeste invade o reino de Dark e chega à casa do mestre Kiba, desafiando a lei sagrada. Como soberano do reino da Fênix Escarlate, Dark precisa puni-lo, tendo início, então, uma feroz batalha. É aí que descobrimos que Dark tem sangue negro, como o dos demônios. Será Dark realmente um demônio? Por que, então, Lorde Soh lhe confiou a guarda do reino da Fênix Escarlate?

Essas e outras perguntas vão se esclarecer durante a saga do jovem Dark em meio aos relacionamentos e às intrigas dos guerreiros dos quatro mundos, sempre com muita ação em lutas empolgantes e bem desenhadas. O traço de Asamiya é relativamente leve para o gênero, mas se casa perfeitamente com as características de suas personagens, as quais não são excessivamente musculosos e usam antes suas habilidades em vez da força bruta durante suas lutas. Suas figuras são elegantes e expressivas, tanto facial quanto corporalmente, e o desenho sempre acentua a personalidade das personagens, em geral bem delineadas e bastante convincentes. O mesmo vale para os conflitos que se desenrolam entre elas.

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