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17 de abr de 2012

Contos do Tempo Perdido - Livro 2: Morto ou Vivo

Capítulo Seis: Morto ou Vivo
            Os dois homens inseridos no grupo deixaram suas montarias para trás, mas antes lhe deixaram com uma pessoa que pudesse cuidar deles. Nas mãos da curandeira, que apesar de ser uma druidisa, seria bem melhor do que deixar nas mãos de padre Bernard, concluíram os dois. O que por sinal, Arctus estava disposto a acabar com o padre, tanto que mandou uma carta para seus superiores. Aproveitaram e o prenderam enquanto membros do clero não o levavam para o exílio. Nunca mais ele faria sermões em sua vida.
            -Harpias[1]! Se preparem!




            -Me perdoe Lacktum...
            -Mas do que...
            -Logicamente foi o mal.

            Gor então falou:
            -Eu vou primeiro.
            Foi quando Gor falou:
            Halphy olhou emburrada para Seton.
            -Me deixe em paz – disse Lacktum, chorava de dor. E enquanto chorava adormeceu.

            - Argh! Saia!
Você não quer se vingar? Enfrentar seu nêmese?
            - Eu vou me vingar. Não você.

            -Ih! Desculpa...
            -Lacktum, abaixa agora!
-C'est créer une flèche magique. Aussi puissant comme une flèche.
De repente, suas mãos estavam cheias de energia que soltou prontamente na asa da harpia. Ela caiu na frente de Lacktum.
Foi então que a criatura com asas coriáceas preparou um ataque contra o mago. Esse por sua vez sacou sua arma de família, a adaga Van Kristen. Usou a adaga para tentar acertar o pescoço, mas o que conseguiu foi um golpe no braço. O mago ficou tão zangado que praguejou no mesmo instante.
A criatura tentou um novo golpe, mas Lacktum se afastou no mesmo instante que ela avançou. No momento seguinte, Halphy atacou com um virote nas costas do monstro. O corte enorme estava entre as asas que começaram a encolher rapidamente. O arco estava longe agora. Ela tentava se ficar firme e o alcançar, mas era tarde. O mago enfim acertou o golpe na garganta da mulher alada.
Só sobrou a mantícora no campo de batalha. Essa era forte e firme no no combate. Não parecia um monstro ou uma besta e sim demônio da guerra, um ser sem amor ou compaixão que destroçava todos os inimigos na sua frente. O que fazia com que todos soubessem que o demônio em forma de besta não iria cair tão facilmente.
Ela pulou em cima do grego para se defender dos ataques. As mordidas se aproximavam do rosto cada vez mais. A saliva enchia a face dele. Houve então uma lamina que cruzou o ar em direção as costas da criatura. Ela urrou pela dor que sentiu. Gustavo e seus cabelos negros chegaram a seu auxílio. Havia subido na criatura para acabar de vez com aquilo.
-Não adianta paladino, - continuou a urrar o monstro com raiva – eu irei perseverar e devorar cada um de vocês!
-Isso não vai acontecer hoje monstro  – exclamou o guerreiro sagrado.
-Como tem tanta certeza disso?
-Gustavo... Não estou... Agüentando...  – gemeu o quase moribundo Thror.
-Olhe para frente demônio! – foi então que o mago surgiu quase que por encanto. Suas mãos se enchiam do mana do templo. Ele estendeu os braços para trás em seguida, os colocou na sua frente com as palmas a mostra para acionar a magia. Entre as duas, um pequeno tufão de chamas se criou, surgindo um leque enorme das mesmas sobre o rosto do monstro. Esse ficou cego pelo golpe.
Gustavo já tinha saltado das costas, quando a mantícora cambaleava e caiu em cima do jovem grego. Ele arfou, mas logo em seguida não agüentou as feridas do seu corpo. Morreu. E sangrou tanto que cobriu boa parte do chão daquele aposento no templo, fruto do corte do guerreiro sagrado. Todos observavam o monstro caído no chão.
Foi quando debaixo da criatura surgiu uma fina voz pedindo auxilio.
-Me ajudem... O cheiro dela... Pele queimada... E sangue podre... Ergh!
Todos riram da situação, enquanto Gustavo retirava a espada das costas do monstro, que momentos antes os fez ficar em pânico. Inclusive, um tímido e contido mago.

Eles limparam as armas e curaram os feridos. Estavam exaustos, portanto, mandaram a ladina feiticeira Halphy, como batedora. Ela voltou falando sobre alguns itens e uma cela com um estranho prisioneiro. O homem possuía mantos como as antigas túnicas gregas, dizia a ladina.
Após alguns acertos e conversas, todos sentiram que era necessário ir até o andar inferior.
Viram que não havia escadas, então improvisaram uma corda para descer o buraco que descobriram. Não havia nada ali de grande importância, só o enorme buraco na sala adjacente ao confronto que se estendia como um túnel subterrâneo, não muito longo, pelo que disse Halphy. Parecia que ali iria ser colocada uma escadaria, mas não houve tempo. Os monstros deveriam ter se apoderado daquele lugar, pouco depois que os sacerdotes abandonaram com medo do ataque dos fiéis católicos.
Quando desciam as cordas, reparavam várias ossadas humanas. Quase todas de clérigos ou de aventureiros incautos. Eles poderiam ser os próximos, se não tivessem sido um grupo firme.
Viram um corredor de pedra mal feito em que era possível ver, ao fundo, a tal cela. Era feita de aço enferrujado, e se não fosse pelo estado lamentável do homem dentro dela, ele mesmo poderia fugir sem problemas. O lugar fedia a carniça pelos restos de outros incautos aventureiros.
Foi quando Gor e Thror quebraram a porta da cela. O prisioneiro desmaiado despertou em um salto, pelo medo. Os dois guerreiros olharam para o pobre guerreiro no chão com uma grande atenção. Estava muito ferido no peito e sangrava na perna. Parecia completamente exausto pelo rosto e pelo corpo fragilizado.
Apesar de tudo, o rosto do rapaz era jovial e cheio de ternura. Ele tinha cabelos loiros, todos voltados para trás, deixando o aspecto do desconhecido, meio selvagem. Ele tinha mantos simples, mas que lembravam um feiticeiro. Isso explicava o físico reduzido do rapaz. Além disso, usava um brinco de ouro que emanava magia. Isso era claro.
Arctus e Lacktum cruzaram a cela em direção ao ferido. Já Thror, foi direto a uma pilha de itens que ficava ao lado do estranho ferido. O sacerdote fez os primeiros socorros no tal feiticeiro. Já o inglês olhava o mesmo com curiosidade. Parecia conhecer ele de algum lugar distante. Para ser correto não era á distância, ou o tempo que o incomodava para saber de onde se lembrava dele... Era como se o conhecesse de um sonho.
-Meu nome é Nico.

Revistaram os itens e entre eles, haviam alguns deles que serviriam para o grupo. Havia uma tiara que aumentava o intelecto, isso foi o que constatou mais tarde o mago. Outro item era uma adaga com brilho prateado que parecia ter um balanço perfeito para atacar. O primeiro dos objetos foi parar na cabeça de Lacktum, enquanto o segundo nas mãos de Halphy. Mas foi Thror que obteve um dos itens, ao qual, todos procuravam: o escudo da Pele do Dragão de Platina, um dos dois conjuntos.
Foi quando os espólios estavam sendo divididos, que Lacktum notou que os olhos do grego estavam cheios de ganância para com o escudo. No mesmo momento, o mago segurou no pulso do guerreiro. Ambos se fitaram com olhos penetrantes e cheios de enfrentamento.
-O que foi mago?
-É melhor não o usar Thror.
-E qual o motivo me faria não usar um item tão bom?
E nesse momento, o mago que segurava firme o pulso do grego, agora o tocava com delicadeza. O grego abaixou a mão que ele segurava momentos antes.
-Eu não quero – disse o mago vacilante – que você sofra... Como eu...
Foi então que o grego começou a colocar o escudo na mochila. Ele até pensou em olhar mais precisamente o artefato que carregaria consigo. Mas quando pensou nisso, se lembrou de Lacktum e suas atitudes suspeitas, seu jeito extremamente arrogante, e às vezes, tão perigoso. O item poderia ter sido de um paladino, mas ele deveria estar amaldiçoado assim como os itens do conjunto. Só o que realmente precisavam fazer, era obter todos os artefatos para selar os Portões Infernais. O resto seria visto mais tarde.

Após os espólios, todos se preparavam para partir. Lacktum já preparava a pedra do retorno e já haviam saído do templo. Todos olhavam atentamente para Lacktum, que agora, se parecia mais com seu pai adotivo, Azerov.
O engraçado é que na ultima viagem através do uso da pedra de Ixxanon, eles perderam um companheiro. E agora eles ganharam três numa manhã só.
-Return.

Havia chamas no lugar. O que tornava a caverna mais sombria. Ela deveria estar em algum lugar no Mediterrâneo. O fogo das tochas encobria a figura no centro do salão. E isso não permitia uma boa visão do homem de pé, no final das escadas.
Um anão entrou na câmara fria e mórbida. Sua armadura negra e seu elmo cheio de adereços, não conseguiam causar tanto pavor quanto o home atrás das chamas.
De costas, o homem de mantos sombrios começou a exigir respostas:
-O que soube do reino da França?
O anão então se ajoelhou, fazendo referência.
-Mestre Kalic Benton II, o túmulo do mestre foi violado. Mas não se preocupe: nada ocorreu com o corpo reserva.
-Muito bem. E onde se encontra o rapaz Van Kristen?
-Entre as ultimas informações, soubemos que ele e um grupo de aventureiros estavam próximos do vale das Termópilas. Tem lugar para descansar na torre de Azerov, um notório mago.
-Azerov? Interessante... Ouvi pouco sobre ele, mas o que sei causa curiosidade. A pedra de Ixxanon...
-Lyon e Diogo, pedem que suas respectivas tropas ataquem o covil do mago.
O homem deixa aparecer o olho esquerdo de modo macabro.
-Enquanto o mestre não desperta plenamente, eu controlo o Pacto de Guerra! E só eu quem decide quando e quem atacar!
-Sim mestre, - assentiu com a cabeça o anão – como for melhor para vossa senhoria.
-Mallmor – falou o homem para o anão completamente de costa para este novamente.
-Sim?
-Prepare suas tropas. Não será a Aliança dos Imortais ou a dos Mortos Despertos que irá fazer o cerco a torre de Azerov. A Aliança dos Mestres do Martelo deve chegar as Termópilas e capturar Lacktum e Halphy vivos. Só os dois são imperativos para os nossos planos.
Nesse momento, mesmo com o elmo, era claro que o anão esboçou um sorriso de satisfação. Rapidamente, se curvou de forma respeitosa e saiu da câmara sinistra.
O homem atrás das chamas apertava o punho fortemente até se ferir. O que saia não era sangue.

Todos estavam calmos depois das aventuras que ocorreram no reino da França. Estavam felizes especialmente.
Azerov se alegrava com os aventureiros passando suas tardes brincando em sua torre. Algumas vezes, ele via Thror brincando com os mantos de Madelyne, ao qual Halphy interrompia imediatamente. Gor fazia competições contra Seton, que perdia de modo lastimável. Até Lacktum usava truques para acertar de modo cômico o dono da torre. E ele praguejava contra os garotos como um vovô irritadiço. Já o Feiticeiro Nico, que havia insistido em partir com o grupo, se mostrava um grande irmão mais velho.
Houve até um momento bem estranho aos jovens. Lacktum juntou todos, em um determinado dia para lhes pedir desculpas por ter agido estranhamente. Então Halphy, ironicamente colocou a mão na testa dele e disse que agora ele agia estranhamente. Haviam se tornado um grupo. E coisas assim acontecem. Nem Lacktum havia notado até então: era um grupo de verdade que se formava ali.
Nos três dias, ocorreram somente coisas felizes. Mas foi na tarde do quarto dia, antes que ele começasse a recarregar a pedra de Ixxanon, que um estranho surgiu. Ele batia com força gritando.
-Azerov! Azerov!
-Ora o que...
Quando abriu os olhos para enxergar corretamente o individuo, notou que conhecia o homem cheio de trapos. Para começar, não era um home.
Era o discípulo do monstro que lhe concedeu o livro antigo que tentava decifrar Ele coloca a mão sobre um pano que ficaria no rosto se ele tivesse um. Parecia exausto e se ajoelhava por cansaço.
-Hunareon! O que te aconteceu?
-Soldados... Dezenas... Ou centenas de anões, surgiram no vale das Termópilas, fortemente armados, e se dirigindo para cá. Eles irão chegar logo, pois querem destruir a torre, e tudo que encontrarem, por conta de um grupo de aventureiros. Azerov, que mal trouxe para as terras gregas?
O grupo que ouvia tudo de algum lugar na torre prestava muita atenção na conversa, especialmente nas palavras do estranho de trapos. Lacktum descia a escada, enquanto Azerov atendia o estranho.
-Eles enfim nos encontraram.

A vil criatura havia sumido. Usou das magias de Azerov para ir até um lugar seguro para si. O que era muito raro visto seu aspecto.
As vilas próximas da torre foram esvaziadas. Azerov, assim como o grupo de aventureiros, se preocupava com os aldeões que nelas viviam. Nenhum deles queria ver inocentes, envolvidos em uma batalha, portanto, iriam poupar todos aqueles que pudessem. Os inimigos nunca poupam ninguém, eles sabiam.
Gor e Thror ficaram responsáveis por evacuar as vilas. Já o mago Azerov, preparava várias magias de transporte para levar os mais necessitados, como crianças, velhos, feridos, doentes e mulheres. Arctus se encarregava de convencer alguns.
Quando chegou o dia seguinte, não havia ninguém nas proximidades daquela torre. Só a fauna e flora eram vistas.
Mas algo se aproximava no horizonte. Do deserto que aquele lugar havia se tornado, que já foi parte de uma das maiores polis, surgia um som que quebrava o silêncio. Tambores de guerra eram ouvidos. Batidas rápidas que criavam medo e terror. Era o mesmo tipo de som que alguns dos hospedes de Azerov escutavam quando eram mais novos. Lacktum, Thror e Gor, escutavam aqueles tambores e os passos atrás daquele som infernal, quando jovens. E isso não era diferente naquela tarde. Pois da direção de onde eram as Termópilas, vinha um exército de homens diminutos com armaduras e escudos expostos. Suas armas ficavam nas costas, seguradas por uma tira de couro. Todos usavam em suas proteções, como símbolo, um martelo partido ao meio.
Todo o grupo observava e ouvia tudo do último andar, o mesmo que Azerov quase sempre deixava trancado. Somente o dono da torre e Nico, o jovem ferido no Reino da França, não observavam o fato. Isso acontecia, pois os dois acumulavam mana na pedra de Ixxanon. O plano consistia em transportar todos dali para Avalon. Os mais simples não acreditaram muito nisso, mas tiveram que se calar diante das palavras dos arcanos que ali viviam.
Nico era um mistério que sempre voltava à cabeça de Lacktum e Halphy. Ele parecia conhecer muito de magia, mais até que o próprio Azerov. Isso trazia um, certo receio aos dois enquanto observavam as tropas. Foram tirados desse pensamento pela própria Halphy que notou algo.
-Veja Lacktum, – apontando para á frente do exército – alguém vindo à frente das tropas.
O anão vinha com uma armadura, poderia ser um poderoso lorde. O elmo parecia uma cabeça de demônio, cheio de pelos como adereços. Em sua cintura, havia um martelo e um machado que pareciam emanar uma aura de magia. Ele jogou o martelo no chão e tocou a palma da mão esquerda com o punho cerrado da direita em sinal de paz e referência. Gor sabia um pouco dos costumes dos elementais da terra de aço, mas sabia que aquilo era um pedido de dialogo.
Foi então que o anão gritou.
-Os aventureiros que estiveram em Starten, queiram se apresentar!
Aqueles que estavam na beirada da torre começaram a se posicionar. Lacktum, com um ar de superioridade, colocou o pé direito sobre o parapeito. O outro ficava em cima de um caixote, para se apoiar. Ele se curvou e colocou os braços em cima da perna direita. Ele se mostrou como o porta-voz do grupo naquela conversa.  
-O que quer aqui anão? Você serve aquele que dorme nas catacumbas da cidade destruída de Starten?
O anão retirou o elmo. Ele tinha muitos cabelos brancos e possuía uma barba castanha que cobria tanto seu rosto que mal deixava ver seus olhos. Da parte de baixo de sua barba caiam duas tranças.
-Meu nome é Mallmor[2], antigo lorde dos anões e Príncipe Negro entre alguns! Estou a serviço de meu mestre e senhor, para que respondam pelos acontecimentos que ocorreram naquela cidade! Se entreguem e iremos pensar se pouparemos a maioria!
-Como assim? – gritou Halphy.
-Meu mestre pediu que só dois de vocês fossem realmente poupados! Halphy Brown e Lacktum Van Kristen! Os outros teriam que esperar a decisão de meu mestre, Kalic Benton II! 
-Kalic Benton? – sussurrou Lacktum.
-O que foi? – perguntou preocupada a fealith.
-Não é que, - falou o mago de cabelos vermelhos tentando ordenar seus pensamentos – esse nome não me parece estranho.
Gor então grita:
-Quais os motivos de seu mestre querer eles poupados? Afinal, motivos ele deve possuir.
-Meu mestre disse - respondeu Mallmor – que Lacktum deveria ficar vivo por motivos pessoais! E é imprescindível que Halphy permaneça viva para os planos dele! Se os dois se renderem, ele talvez pense se vai poupar o resto do grupo.
-Planos? Motivos pessoais – agora quem sussurrava era Halphy.
-Não entendo também Halphy – respondeu Lacktum.
Era possível que Seton estava impaciente com a conversa. Ele cruzava os braços e batia os pés, freneticamente. O druida demonstrou, enquanto esteve no grupo, não ter mínima disciplina quando o assunto se referia à diplomacia militar.
-Só irei ofertar essa chance de rendição uma vez! – gritou Mallmor.
-Deve ser uma armadilha. Com certeza é – sugeriu Halphy.
-Temos que confiar em Azerov. Ele vai nos levar a Avalon – pensou e respondeu Lacktum.
-Qual a resposta que tenho a minha oferta? – gritou mais uma vez o anão.
Diga a seu mestre...
Lacktum parou e olhou o resto do grupo. Olhou o grego e sem memória, Thror, com sua ferida na testa. Ficou olhando o antigo poderoso Gor, e sua lâmina mágica, se mostrando poderoso. Olhou o rápido e ambicioso Hugo e seu grande amigo Richard, que desistiram de suas aventuras para se aprimorar com Azerov. Reparou em Gustavo, que tanto lembrava seu irmão Federick, fosse por semelhança ou pelo seu senso de justiça único naqueles tempos. Observou então Seton, um druida nada convencional com uma foice tão grande que gerava medo. Halphy parecia tão perplexa com o que estava acontecendo quanto Lacktum, mas só quem a conhecia sabia que ela se assustou com tudo aquilo. Já Arctus, orava tentando demonstrar sua fé, afim de que seu deus intercedesse por todos. Até mesmo Madelyne se mostrava como parte do grupo apesar de conhecer eles há menos tempo.
Depois de se livrar da máscara, Lacktum notou muitas coisas. Ele havia perdido família e várias pessoas amadas, inclusive, a doce e inocente, Lirah para um inimigo desconhecido. O que ele não contava, é que encontraria uma nova família formada por druidas, feiticeiros, paladinos, guerreiros poderosos, ladras sagazes, mulheres encapuzadas e criaturas sidhes. E ele os amava, acima de tudo. Iria proteger a todos.
-Diga a ele que não iremos nos entregar sem uma luta! E que seus exércitos iram enfrentar um grupo bem armado!
-Essa é sua palavra final? O exército da Aliança dos Mestres do Martelo não terá piedade! Mesmo com pedido tardio de rendição!
-Meu nome é Lacktum Van Kristen, e minha palavra é única e definitiva!
-Certo...
Foi então que Seton saltou na frente de Lacktum:
-Quero ver vocês me matarem seus nanicos idiotas! Eu enfrento todos de uma só vez! Até você seu príncipe de nada! Você eu enfrento com uma mão na arma e a outra nas costas!
-Acho que meu amigo aqui – gritou sorridente e constrangido Lacktum – já disse tudo.
Mallmor sorriu e pegou o martelo, enquanto voltava para seus homens. Todos saíram da beirada da torre. Começaram a conversar.
-Seton! – começou a criticar Halphy – Você é doente? Um pouco mais e aconteceria uma chacina!
-Calma, calma, – disse Seton, retrucando – eles não fazer nada fora do comum. Eles não teriam coragem.

Mallmor voltou para seu exército. Todos o olhavam, esperando suas ordens. Colocou o elmo em frente aos soldados que só aguardavam suas ordens, respeitosamente.
Foi então que um deles chegou até Mallmor e perguntou:
-Mestre Mallmor, o que faremos em relação aos aventureiros que estão na torre? Iremos poupar alguém? Ou não iremos poupar ninguém?
Ele se virou e disse com fúria tamanha, que fazia os pelos de sua barba voavam enquanto gritava.
-Matem todos! Não deixem ninguém vivo! E me tragam a cabeça de um rapaz que porta uma foice. Esse eu vou ter o prazer de colocar na parede de meu quarto, como uma prova de sua tolice em desafiar o Príncipe Negro dos anões.

Halphy que ainda estava extremamente nervosa com Seton então olhou na direção de Lacktum e disse:
-Pelos diabos! O que estava havendo com seu brinco mago?
Foi quando o brinco e a adaga de Lacktum começaram a tomar um brilho único. Como se eles fossem feitos de pura magia. Pelo pouco que ele estudou sobre metal espectral, eles não eram mágicos, mas possuíam propriedades mágicas que provinham das almas de nobres pessoas que morreram próximas desse aço único. Então significava que os presentes que ele obteve de seu pai estavam reagindo a algo.
E então se lembrou de quando eles brilharam daquela forma. Era como quando seus amados familiares e Lirah Lugarao’Céu morreram e o seu assassino surgiu diante dele. Naquele período se concentrou tanto em sua dor que só notou isso dias depois. Também se lembrou das palavras de Gor sobre o que falou sobre o metal. Por fim, se lembrou das palavras de seu pai há muito tempo atrás, quando pediu para guardar esses itens.
Destrua aquele que surgir quando esses itens demonstrarem sua verdadeira face


[1] Harpias ou sereias: existem duas versões sobre estes seres. Nesse caso, são usadas mulheres aladas com asas de aves de rapina que encantavam as pessoas com seu canto.
[2] Mallmor, inspirado novamente pela língua criada por J.R.R. Tolkien, teria o sentido de Ouro Negro.

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